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Jurista e poliglota, Aldy Mentor, era maranhense da Cidade do Brejo (MA), com raízes paternas de tradicional família cearense e mais distantes raízes potiguares que adotou o Ceará como sua terra para viver, trabalhar e dar continuidade a seus sonhos de caráter social.
Pelo lado paterno era neto dos cearenses Isabel Gomes de Oliveira Melo e Laureano Guilherme de Melo e filho primogênito do maranhense José Mentor Guilherme de Melo, extrativista no ciclo da borracha da Amazônia, grande comerciante, empreendedor e primeiro exportador de babaçu, adquirindo para isso, da tradicional Família Couto do Brejo (MA) duas ilhas no Delta do Parnaíba: a das Pombas e a do Coroatá.
Pelo lado materno era neto de Joana Angélica de Lima Couto e do Coronel Couto, este tradicionais famílias maranhenses, com raízes gaúchas e portuguesas, pais de Angélica de Lima Couto, brejense, pianista e compositora, mulher de fibra, que acompanhava e apoiava seu marido José Mentor em seus empreendimentos ao mesmo tempo que cuidava da família com dedicação.
Aldy na época em que seus pais já moravam no litoral parnaibano iniciou e concluiu seus estudos em São Luiz (MA). Formou-se em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito do Maranhão, em 22 de maio de 1929. Quando universitário já se dedicava às lutas pela defesa dos injustiçados e dos menos favorecidos, causando temores aos que não se importavam, aos que não compreendiam suas preocupações sociais e aos que se incomodavam com a essência de sua causa. Foi aluno brilhante destacando-se em maratonas no ensino médio e substituindo professores de sua faculdade no ensino universitário.
Casou-se com Yvonne Neves de Couto Melo (1910-2003), nascida Moraes Neves, de tradicionais famílias da Cidade de Parnaíba (PI), em 06 de junho de 1930. Ela era pianista, poetisa, pintora, secretária de Aldy, falava fluentemente o francês, esposa e mãe desvelada. Deixou três livros escritos, não publicados, dois sobre receitas e um sobre sua vida. Seu sogro, parnaibano, Ademar Gonçalves Neves era comerciante, foi Prefeito da cidade de Parnaíba (PI) - onde construiu grandes avenidas, implantou a coleta de lixo, iluminou as ruas com lampiões de gás, era músico e compôs o hino para o clube da cidade que se tornou o Hino Oficial da Cidade de Parnaíba. Depois mudou-se para o Rio de Janeiro onde foi trabalhar na Casa da Moeda. Sua sogra, parnaibana, nascida Ormida Moraes Correia Neves, devorava livros e adorava trocar idéias com aquele jovem estudante de direito que viria a ser seu genro.
Aldy iniciou o exercício de sua profissão no Piauí onde advogou em diversas cidades e em Parnaíba deu continuidade às causas sociais que abraçava desde jovem quando teve a oportunidade de criar e dirigir a Geral das Classes Obreiras que mais tarde deu origem às associações de classes e aos sindicatos. Na defesa dos trabalhadores foi levado à condição de preso político tendo sido deslocado para a capital do Estado do Piauí, Teresina, entre 1935 e 1939. Depois residiu algum tempo na Ilha do Coroatá onde se dedicou aos estudos das línguas, alemã e russa, aprimorou seus conhecimentos de inglês e francês, estudou minuciosamente o Código de Processo Civil de 1939, o que o tornou um profundo conhecedor de seu conteúdo e exerceu sua profissão defendendo suas causas jurídicas nas cidades à beira do Delta de Parnaíba.
Mudou-se com a esposa e cinco de seus seis primeiros filhos para Fortaleza (CE), cidade fixando nela sua residência e seu escritório de advocacia registrando-se em 14/08/1942 no Quadro dos Advogados da Seção do Ceará da Ordem dos advogados do Brasil (OAB). Na capital cearense exerceu com dignidade e dedicação sua profissão de advogado, destacando-se por seus extensos e convincentes trabalhos jurídicos, por serem bem fundamentados e apoiados na lei, ao mesmo tempo em que buscou realizar seus ideais de justiça, igualdade e liberdade e que se dedicou à família. Ideais esses que alcançou advogando para os menos aquinhoados e excluídos e se dedicando pessoalmente a ajudar os mais necessitados. Dentre suas obras sociais destaca-se a compra e doação de terras, loteamento e aquisição de materiais de construção para doação aos moradores da comunidade “Alto da Paz”, no Bairro de Fátima, nos anos 50, beneficiando originalmente cerca de cem famílias que moravam no local sem a posse da terra. Este trabalho estendeu-se ao longo de sua vida, sempre acompanhando, nos finais de semana, as construções das residências e do Centro Social Comunitário alto da Paz em sistema de mutirão que beneficiaram filhos e netos desta comunidade, a quem ele sempre prestava apoio.
Era um amante da natureza e a respeitava. Em sua residência na Av. Padre Ibiapina, que adquiriu em 1958, cultivava as árvores frutíferas – siriguela, ata, uva, banana, coco, goiaba e pitanga, e hortaliças – pimentão, tomate, cebolinha verde, nos quintais e as ornamentais nos jardins. Regava-as pessoalmente no alvorecer com o sistema de irrigação que implantou nos anos 60, em parte destas áreas e distribuia-as com os vizinhos, tanta era a quantidade colhida. O cajueiro que já existia na “Casa dos Bandeiras” era macho e à sua sombra estava a casa de seu cão de guarda, o Rex, e em seus robustos galhos seus últimos filhos estudavam. Estava sempre a dizer: “aproveitem enquanto há fartura porque no futuro será tudo escasso”. Ele sempre anteviu o futuro e procurava orientar a todos para viver da melhor maneira o presente: desfrutar do que se dispunha, de forma saudável e alegre, mas com responsabilidade de forma a deixarmos nosso legado para o futuro.
Sabia receber os amigos e parentes em sua casa pois o fazia com prazer. Ampliou a casa conforme seus projetos para poder abrigar parentes, parte de sua biblioteca, pois já não cabia no escritório, ouvir música, receber amigos, clientes e os jovens amigos de seus filhos. Sentia-se feliz com a vida que tinha. Sua riqueza era interior, sua sabedoria a humildade, seu poder ajudar o próximo, seu reino a família e os amigos
O espírito de luta em busca de melhores condições de vida para quem precisava lhe era inerente. Não poderia seguir caminhos alheios a seus ideais. Corpo e mente trabalharam juntos para semear suas idéias e torná-las realidade. Faleceu em Fortaleza aos 30/09/1978, lutando pelos seus ideais, em defesa dos direitos de milhares de jovens estudantes, pensionistas e aposentados, pois sua consciência em relação a nossa realidade social e econômica assim o solicitava. A defesa de mais de 2.000 aposentados, contra o atual Instituto Nacional de seguridade social (INSS), em ações judiciais vitoriosas, foram confirmadas em instância superior, logo após a sua morte. Realizou trabalhos de repercussão nacional na área jurídica, tais como o uso das medidas cautelares, antes de sua amplitude dada pelo Código de Processo Civil de 1973.
Deixou dez filhos que residem em Fortaleza (CE) e em diversas cidades do Paraná. Hoje são 27 netos e 28 bisnetos. A primeira trineta nascerá em São Paulo, no mês de maio e se chamará Nicolli Assad.
Foram publicados somente três de seus trabalhos, estes realizados em parceria:
* Homicício qualificado e aberratio ictus, 1953, Impressão da tipografia Estrela. * Mandado de segurança contra a ilegal revisão. 1955, Editora A. Batista Fontenele, vol I. * Mandado de segurança contra a ilegal revisão. 1955, Editora A. Batista Fontenele, vol II. * Ação de nunciação de obra nova. 1973.
Esteve à frente das entidades e eventos da classe e das publicações jurídicas no Ceará:
* Membro do Conselho Superior do Instituto dos Advogados do Ceará (IAC) – 197_ a 197_; * Membro da Comissão de Estudos do Novo Código de Processo Civil de 1973, pela OAB-CE; * Conferencista no Seminário sobre o Novo Código de Processo Civil (Processo Cautelar) – 1974 * Conferencista no Simpósio dos Advogados do Ceará (A Prática do Código de Processo Civil) – 1975 * Membro do Conselho da Ordem dos Advogados do Ceará (OAB) – 1975 a 1978 e * Compôs a 1ª Diretoria da Revista Vida Jurídica, publicada pelo IAC - 1975.
Após seu falecimento em 30/09/1978, Aldy Menor recebeu diversas homenagens:
* 1989 - a OAB/CE inaugurou a sala dos dvogados no prédio da Justiça Federal, no Ceará, que passou a chamar-se Sala Advogado Aldy Mentor e em 1977 foi reinaugurada com o mesmo nome no edifício do Banco do Nordeste, no 15º andar onde teve seu retrato descerrado pela viúva de Aldy, Yvonne Neves de Couto Melo; * 2003 – a Famíla Couto Melo criou no dia do Advogado o Instituto Aldy Mentor, entidade sens fins lucrativos, para replicar seu legado em favor dos excluídos; * 2005 - a Prefeitura Municipal de Fortaleza aprovou o projeto para denominar de Avenida Aldy Mentor o trecho da nova e ampla avenida entre o Bairro da Cidade 2000 e a Av. Santos Dumont, no Bairro Dunas ; * 2008 - a Revista Jurídica Leis & Letras, Direito e Informação, instituiu o Prêmio Aldy Mentor para trabalhos de monografia na área jurídica, de caráter nacional e anual, destinado aos formandos de Curso de Direito. Já foram entregues dois desses prêmios.
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